DEPOIS DE 'VALE TUDO', O SONHO É SER UM VILÃO
Casados há seis anos, Adriano Reys e Vivi decidiram não ter filhos e não se arrependem. No apartamento do casal, na Lagoa, a bagunça fica por conta dos cãezinhos Pirulito, Papelote e P.J., da raça yorkshire.
Em 35 anos de carreira, Adriano Reys, mais do que do sucesso, se orgulha do fato de "jamais ter passado mais do que três meses sem trabalhar". No momento, ele tem o prazer de constatar a popularidade do seu Renato Filipelli, que aparece como um dos contrapontos das vilanias que movimentam "Vale tudo". Segundo seu intérprete, o personagem representa o ombro amigo de que todos já precisaram ou vão precisar um dia.
— O Renato é aquela pessoa com que podemos contar, mesmo que seja para um desabafo pelo telefone, às quatro da manhã. E como as amizades sempre preencheram seus espaços, ele não se compromete amorosamente. Esta sua fiel dedicação aos amigos acabou virando uma forma de vida, de não querer juntar com ninguém as escovas de dente, como se diz.
Mesmo gostando muito de viver o Renato, o ator revela sua vontade de interpretar um grande vilão:
— E o meu maior sonho. Tive uma boa experiência com o Dr. Prado de "Ciranda de pedra", um prepotente Juiz que despertou muita raiva no público. Mas o que eu desejo mesmo é viver um vilão notável, do tipo que acredita no que faz. Como a Odete Roitman.
Este sonho, no entanto, tem a ver apenas com a vida profissional de Adriano, que não esconde sua formação religiosa:— Fui coroinha, congregado mariano, mas digamos que hoje sou um católico não fanático, que acredita na forca do espírito e na solidariedade.
Dos 18 personagens que fez em novelas, desde que estreou no gênero, em 1971, é o simpático Renato que lhe tem proporcionado o maior número de trabalhos paralelos, como comerciais e apresentação das mais diversas festas:
— O Leandro de "Final feliz" fez grande sucesso em Portugal, como o Dr. Prado fez em Nova York. Mas o Renato está sendo uma loucura. Em cidades do Paraguai, por exemplo para onde "Vale tudo" é transmitida diretamente, a novela tem um pique incrível de audiência. Estive lá há algumas semanas e quase não podia andar nas ruas.
Nascido no Porto, em Portugal, Adriano Antônio D'Almeida Rocha vive na Zona Sul do Rio desde 1 ano e meio:— Sou do tempo em que Copacabana tinha terreno baldio e o Bairro Peixoto chamava-se Chácara do Seu Peixoto. Um tempo gostoso, em que a cidade tinha muito pé de jaca, manga, carambola, abiu, romã...
As voltas com os preparativos de uma peça, com Cláudio Cavalcanti, Adriano é desses que mantém o romantismo como filosofia de vida:
— Creio muito no amor. Não acredito em nada conquistado pela força, pela prepotência. Tenho uma mulher maravilhosa, a Vivi, que me aconselha, me orienta e está sempre atenta aos meus trabalhos. E penso sempre no momento atual. O que vier no futuro será mais um desafio a ser cumprido.
SISTEMA DE SEGURANÇA MUITO ESPECIAL
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| Em 2009 com a esposa no Fashion Rio |
Amigos desde a infância, Adriano e Vivi estão completando seis anos de casados, numa relação que consegue unir, com muita harmonia, a calma de um com a agitação do outro, como ela conta:
— Eu ando a mil por hora, quanto o Adriano é muito tranqüilo a caseiro.
Carloca, Vivianne de Amorim Cantinho teve aulas de teatro e atuou nas peças "Judas em sábado de Aleluia" e "A vida de Bach", mas não seguiu a carreira de atriz. Hoje, ela curte o trabalho do marido, mesmo se vendo, as vezes, em situações complicadas:
— Quando ele fazia o Dr. Prado de "Ciranda de pedra", por exemplo, as pessoas o detestavam. Uma tarde, em Copacabana, uma senhora bateu com a bolsa na cabaça dele, furiosa, chamando-o de mau e coisas bem pioras.
Mas é com o Renato de "Vale tudo" que Vivi está tendo mais problemas para defender Adriano dos ataques das fãs:
— Na nossa ida ao Paraguai, foi difícil conter as mais empolgadas. Elas o encurralavam em frente às lojas, e eu tinha de salvá-lo. Como boa segurança, permito os autógrafos; beijinho, não. De vez em quando, brinco com o Adriano e ameaço deixá-lo sozinho num supermercado, sendo cercado pelos carrinhos das freguesas...
Por
Marcos Salles
O Globo
11/12/1988

